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UX de banner de cookies: boas práticas que respeitam a LGPD e o visitante

UX de banner de cookies: boas práticas que respeitam a LGPD e o visitante

16 dias atrás
João Bruno Soares
11 minutos

Um bom banner de cookies deixa o visitante decidir em poucos segundos, com a recusa tão fácil quanto o aceite. Na LGPD, isso não é questão de gosto: o desenho do aviso influencia se o consentimento é livre, e o banner de cookies mal desenhado pode invalidar o consentimento que ele coleta.

O Guia Orientativo de Cookies da ANPD dá uma lista concreta do que recomendar e do que evitar. Este artigo organiza essa lista em decisões de desenho, acrescenta o que as autoridades europeias e a pesquisa acadêmica dizem sobre o efeito de cada escolha e termina com uma lista para revisar o seu aviso hoje.

O que a ANPD recomenda e o que desaconselha

O Guia da ANPD trata o banner como a materialização dos princípios da transparência e do livre acesso (p. 30) e diz que as boas práticas de UX, em geral, se alinham com as obrigações da LGPD (p. 28). As orientações são "não exaustivas", e é assim que devem ser lidas.

Para o primeiro nível, o Guia recomenda (pp. 30 e 31) um botão para rejeitar todos os cookies não necessários, de fácil visualização, e um link de fácil acesso para o titular exercer seus direitos. Para o segundo nível, recomenda classificar os cookies em categorias, descrever usos e finalidades, permitir o consentimento por finalidade e deixar os cookies baseados em consentimento desativados por padrão.

A lista do que evitar (p. 33) é a que mais serve de régua:

EviteO que está em jogo
Um único botão de aceite no primeiro nível, sem gerenciamentoFalta escolha real
Dar destaque só ao aceite e esconder rejeitar ou configurarA decisão deixa de ser livre
Impossibilitar ou dificultar a rejeição dos não necessáriosO consentimento fica viciado
Cookies não necessários ativados por padrãoA inércia vira consentimento
Não ter segundo nívelO visitante não consegue escolher por finalidade
Não ter mecanismo direto para revogar ou se oporA revogação deixa de ser facilitada
Política de cookies só em idioma estrangeiroO visitante não entende o que aceita
Lista de cookies granular demaisA fadiga impede uma manifestação clara

Há ainda um item importante: ao usar o consentimento como base legal, não vincular a sua obtenção ao aceite integral das condições de uso de cookies, sem opções efetivas para o titular.

A primeira camada: o que o visitante decide em segundos

A primeira camada é o único lugar onde todo visitante passa. Ela precisa resumir, e não explicar tudo.

Três caminhos, com o mesmo peso

O desenho que o Guia ilustra tem três botões: rejeitar os não necessários, aceitar todos e selecionar cookies. Na prática, vale mantê-los com o mesmo tamanho, a mesma tipografia e uma área de clique equivalente. A AdOpt permite botões de aceitar e rejeitar com a mesma ênfase de cor, e o aviso pode seguir a identidade visual do seu site.

Mesmo peso não obriga a mesma cor. Mas se um botão é um bloco colorido e o outro é um link cinza de texto pequeno, o desenho está pedindo uma resposta, e a ANPD desaconselha exatamente isso.

Um texto curto que diz o que importa

O Guia fala em apresentar as informações essenciais de forma resumida e simplificada (p. 30). Três coisas bastam na primeira camada: que o site usa cookies, para que tipos de finalidade, e onde ler o detalhe, com um link para a política de cookies.

Evite o juridiquês e as frases genéricas do tipo "usamos cookies para melhorar a sua experiência", que não dizem nada. Se a finalidade é medir audiência e exibir anúncios, diga isso. Escreva em português, já que o Guia desaconselha apresentar informações da política de cookies apenas em idioma estrangeiro.

Posição e tamanho sem manipulação

A posição do aviso muda o quanto as pessoas interagem com ele. Em um estudo com mais de 80 mil usuários de um site alemão, os pesquisadores Utz e colegas observaram que as pessoas interagiam mais com um aviso mostrado na parte inferior esquerda da tela. É um dado útil para garantir que o aviso seja visto, e não para empurrar uma resposta.

O critério prático: o aviso deve ser visível sem cobrir o conteúdo que o visitante quer ler e sem bloquear a página de um jeito que obrigue a aceitar.

A segunda camada: escolher sem se perder

Quem clica em "personalizar" já quer decidir. A segunda camada precisa facilitar essa decisão, e não escondê-la.

Categorias claras, desligadas por padrão

Cada categoria precisa de um nome, uma descrição de uso e finalidade e um controle simples. Os cookies necessários ficam sempre ativos e sem escolha. Os demais começam desligados, o que o Guia recomenda (p. 31) e o que as autoridades europeias exigem: segundo o relatório da força-tarefa de cookies do EDPB, caixas já marcadas não levam a um consentimento válido.

A classificação em si depende de um bom inventário. O artigo sobre boas práticas na categorização de tags mostra como chegar a categorias que o visitante entenda.

Granularidade na medida certa

O Guia desaconselha dois extremos. Um é o aviso sem opção de gerenciamento específico para finalidades distintas. O outro é a lista de cookies tão detalhada que causa fadiga e impede uma manifestação clara (p. 33). A saída é agrupar por finalidade, com descrição curta, e deixar o detalhe técnico na política de cookies.

Botões que dizem o que fazem

Rótulos como "Salvar minhas escolhas" e "Aceitar todos" evitam ambiguidade. Rótulos que só concordam, como "concordo", "aceito" ou "ciente", são os exemplos que o Guia dá de botão único de aceite quando não há opção de gerenciamento. O visitante precisa saber o que acontece quando clica.

Revogação: o botão que fica

O consentimento pode ser revogado a qualquer momento, por procedimento gratuito e facilitado (LGPD, art. 8º, § 5º). Se o aviso some depois da primeira escolha e o visitante não encontra como mudar de ideia, a revogação deixou de ser facilitada. O Guia desaconselha a ausência de um mecanismo direto e próprio para revogar o consentimento e se opor ao tratamento (p. 33).

O relatório da força-tarefa de cookies do EDPB, adotado em 17 de janeiro de 2023, sugere uma solução simples: um pequeno ícone flutuante, permanentemente visível em todas as páginas, ou um link em lugar visível e padronizado, que leve o visitante de volta às suas preferências. A mesma ideia vale para o Brasil.

Acessibilidade: o aviso também é para quem usa teclado e leitor de tela

As WCAG 2.2, o padrão de acessibilidade do W3C, não são exigência da LGPD, mas dão critérios objetivos para um aviso que todo mundo consiga usar. Cinco deles se aplicam direto ao banner:

  • Contraste de texto (1.4.3, AA): pelo menos 4,5:1 para texto normal.
  • Contraste de componentes (1.4.11, AA): pelo menos 3:1 para bordas de botões e outros elementos de interface em relação ao fundo.
  • Teclado (2.1.1, A, e 2.1.2, A): tudo precisa funcionar só com o teclado, e o foco não pode ficar preso no aviso.
  • Foco visível (2.4.7, AA): o elemento focado precisa aparecer destacado.
  • Redimensionar texto (1.4.4, AA): o texto precisa poder chegar a 200% sem perder conteúdo nem função.

Um teste de dois minutos resolve boa parte: abra o site, navegue o aviso só com a tecla Tab, dê zoom de 200% e confira se dá para recusar tudo sem usar o mouse.

O que a pesquisa e as autoridades dizem sobre o efeito do desenho

O desenho do aviso muda o que as pessoas respondem, e é por isso que a lei e as autoridades olham para ele. Vale conhecer as evidências sem exagerar o que elas provam.

O que os estudos mostram

Um artigo apresentado na conferência CHI 2020 analisou as cinco CMPs mais usadas em 680 sites do top 10 mil do Reino Unido e fez um experimento de campo com 40 participantes. A conclusão do estudo, de Nouwens e colegas: remover o botão de recusa da primeira página aumenta o consentimento em 22 a 23 pontos percentuais.

O estudo de Utz e colegas, no CCS 2019, com mais de 80 mil usuários, achou que mais pessoas aceitavam o rastreamento quando a escolha era binária do que quando exigia decidir por categoria ou por empresa, e que o uso de nudges teve grande efeito nas escolhas. São pesquisas com amostras e contextos específicos, e os números não se transferem direto para o seu site. A mensagem que se transfere é qualitativa: o desenho decide.

O que as autoridades europeias já decidiram

O relatório do EDPB de janeiro de 2023 registra que uma grande maioria das autoridades considerou que a ausência de uma opção de recusa no banner é uma infração (§ 8) e confirma que caixas pré-marcadas não geram consentimento válido (§ 10).

Sobre cores e contraste dos botões, a força-tarefa concluiu que não é possível impor um padrão geral e que a análise é caso a caso, para verificar se o desenho não induz o visitante ao erro (§ 17).

Na França, a CNIL multou no fim de dezembro de 2021 o Google em 150 milhões de euros e o Facebook em 60 milhões, por não permitirem recusar cookies tão facilmente quanto aceitá-los, segundo a lista de sanções da própria CNIL. No caso do Google, aceitar tudo levava um clique e recusar tudo exigia vários. Essas decisões não valem no Brasil, mas mostram para onde a fiscalização olha e servem de referência para quem atende visitantes europeus.

Para o marketing, o recado é prático: uma taxa de aceite inflada por desenho enganoso é um consentimento viciado, e a LGPD proíbe o tratamento com vício de consentimento (art. 8º, § 3º). O artigo sobre taxa de consentimento trata de como melhorar o resultado sem cruzar essa linha.

A lista para revisar o seu banner hoje

Abra o seu site em uma janela anônima e responda:

  1. A primeira camada tem aceitar, rejeitar os não necessários e personalizar?
  2. Os três botões têm tamanho e peso visual equivalentes?
  3. O texto diz, em português claro, o que é coletado e para quê?
  4. Há link para a política de cookies e para exercer direitos?
  5. Os cookies não necessários começam desligados?
  6. As categorias têm nome e descrição que um leigo entenda?
  7. Dá para voltar às preferências em qualquer página?
  8. O contraste, o foco e o teclado funcionam?
  9. Aceitar e recusar têm o mesmo número de cliques?
  10. O texto do aviso bate com o que a política de cookies declara?

Se algum item falhar, comece por ele. Uma CMP como a AdOpt ajuda a manter a segunda camada alinhada ao inventário do escâner, mas o desenho do aviso é decisão sua.

Veja os planos da AdOpt e comece pelo teste grátis de 30 dias para montar o seu aviso com recusa tão fácil quanto o aceite.

Continue aprendendo sobre o aviso de cookies

Perguntas frequentes

O botão de rejeitar precisa estar na primeira camada do banner?

O Guia da ANPD recomenda um botão para rejeitar todos os cookies não necessários, de fácil visualização, nos banners de primeiro e de segundo nível. Não é uma regra escrita na lei, e sim uma boa prática da autoridade. Na Europa, a maioria das autoridades da força-tarefa do EDPB considerou a ausência de recusa em qualquer camada uma infração.

Aceitar e rejeitar precisam ter exatamente o mesmo design?

O Guia desaconselha dificultar a visualização dos botões de rejeitar ou configurar e dar destaque apenas ao aceite. Não pede botões idênticos, mas peso visual equivalente: tamanho, contraste e posição que não empurrem o visitante para uma resposta. O EDPB afirmou que cores e contraste são analisados caso a caso.

O banner pode bloquear a página até o visitante escolher?

O Guia não trata disso diretamente. O critério é o que ele diz sobre liberdade: a rejeição não pode ser dificultada, e o consentimento não pode ser vinculado ao aceite integral sem opções efetivas. Um aviso que cubra a página e não ofereça recusa tão fácil quanto o aceite contraria esse espírito. Confira com o seu jurídico antes de adotar qualquer bloqueio de página.

Banner mais chamativo aumenta o aceite?

Pesquisas acadêmicas mostram que o desenho influencia as escolhas, e o estudo de Nouwens e colegas ligou a remoção do botão de recusa a um aumento de 22 a 23 pontos percentuais no consentimento. Mas aceite obtido por desenho que induz ao erro é um consentimento viciado. Melhore a clareza do texto, e não o peso de um botão.

Preciso me preocupar com acessibilidade no banner?

Sim. Embora as WCAG não sejam exigência da LGPD, o banner é o primeiro elemento que todo visitante encontra, e quem usa teclado ou leitor de tela precisa conseguir recusar e personalizar. Contraste adequado, foco visível e navegação por teclado são o mínimo, e um teste de dois minutos com a tecla Tab já mostra os problemas.

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CMP
Cookies
Avisos de cookies

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